segunda-feira, 7 de agosto de 2017



COMPORTAMENTO DE AÇÕES E ÍNDICES DE MERCADO APÓS ACIDENTES AMBIENTAIS.



O risco de negócio é inerente a todo empreendimento. No entanto, as organizações que incorporam práticas de gestão de riscos ao planejamento dos negócios e à gestão do desempenho possuem maior chance de alcançar êxito em seus objetivos estratégicos e operacionais.
Porém, há riscos intangíveis muitas vezes não avaliados nos diversos setores empresariais. Os riscos socioambientais negligenciados ou desconhecidos podem levar as empresas a passivos financeiros que ultrapassem a faixa dos bilhões.


Para ilustrar melhor, citarei dois casos de grande conhecimento público, envolvendo duas grades corporações: A BP e a SAMARCO.


BP e o desastre no Golfo do México


O pior vazamento de petróleo da história, ocorreu em 20 de abril de 2010 com uma grave explosão da sonda de petróleo Deepwater Horizon, operada pela empresa britânica BP (antiga British Petroleum).
Até então a BP era uma empresa listada no Dow Jones Sustainability Index e reconhecida como um exemplo de gestão ambiental na indústria petrolífera (MILONE, 2011).
O acidente teve impacto direto sobre o EBTIDA da corporação e também uma variação significativa nos valores das ações.
Os valores das ações um ano antes e um ano depois foram calculados proporcionalmente com base em uma regra de três. O impacto do acidente sobre as ações foram significativos: a BP chegou a perder 55% de seu valor de mercado (em relação a seu valor na data do acidente).
SAMARCO e o Rompimento da barragem em Mariana- MG


O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco cujos donos são a VALE e a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, no dia 16 de novembro de 2015
A Vale, conforme matéria do jornal “ O Estadão” de 19/Nov/2015 , perdeu R$12,6 bilhões de mercado desde o acidente da Samarco : “Nos quinze dias desde a tragédia ambiental com a barragem de Mariana – MG os papéis da mineradora brasileira amargaram uma queda acumulada de 15,86% (ON) e 13,78(PNA), enquanto a Bovespa subiu 0,9%. Controladora da Samarco ao lado da BHP Billiton , a Vale perdeu R$12,6 bilhões de valor de mercado desde o dia 04 de Novembro, véspera do desastre, segundo dados da consultoria Economática.”


Queda no valor das ações VALE:


fonte: Bovespa


Além disso, houve impacto mundial nas ações da BHP Billition, após o acidente:


Queda no valor das ações BHP (ANÁLISE DA BHP BILLITON – PERÍODO 29/10/2015 À 20/11/2015) :



Fonte: investing.com


Os cenários de riscos ambientais ligados aos acidentes apresentados, não foram citados nos relatórios de sustentabilidade anteriores ao fato.
Em um cenário mundial aonde o ISR (Investimento Social responsável) vem crescendo de maneira acelerada, é imprescindível a transparência das organizações na comunicação de suas informações ambientais, sociais e econômicas relevantes, assim como a indicação da alocação de recursos financeiros que mitiguem os riscos apresentados.
Joyce Françoso.


Bibliografia: TCC - SUSTENTABILIDADE: GESTÃO DE RISCO E ATRATIVIDADE DE INVESTIMENTO – JOYCE FRANÇOSO / MBA: Gestão Estratégica de Negócios e Economia Empresarial FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) - USP


EMISSÃO DE TÍTULOS VERDES - GREEN BOND
As diretrizes da economia atual apontam para a intensificação das ações para o desenvolvimento da economia de baixo carbono.
É notório a grande necessidade de investimentos de fontes públicas e privadas direcionadas as adaptações das mudanças climáticas de curto, médio e longo prazo.
Grandes entidades como a Agência Internacional de Energia, o World Bank Group e o World Resource Institute, avaliam que os investimentos previstos para estas demandas podem chegar a US$ 5 trilhões anuais, um volume de recursos muito maior do que os US$ 100 bilhões anuais mínimos previstos no Acordo de Paris que deverão ser mobilizados pelos países desenvolvidos antes de 2025 para compor o financiamento climático, como aponta estudo feito pelo grupo Green Bond da FEBRABRAN.
Os títulos verdes, conhecidos também como Green Bonds, são títulos de renda fixa empregados para captar recursos com o propósito de financiar ou refinanciar projetos que tenham como escopo aspectos positivos no que tange o olhar ambiental. Os chamados"Projetos Verdes".
Conforme estudo feito pela FENABRAN, segundo a Climate Bonds Initiative, em setembro de 2016 havia um saldo de mais de US$ 140 bilhões em Títulos Verdes rotulados globalmente, enquanto outros US$ 576 bilhões representavam títulos não rotulados, ou seja, títulos que teriam potencial para serem verdes mas que não foram assim considerados.
 No Brasil, há duas grandes áreas cotadas como potenciais: energia e uso do solo.
Quais as vantagens na emissão de títulos verdes:
  • Diversificação ou ampliação da lista de investidores;
  • Vantagem reputacional;
  • Segurança para o capital do investidor;
  • Transparencia na utilização de recursos;
  • Sinergia com ações sociais;
  • Aumento na percepção, visão e avaliação de riscos e oportunidades para a empresa em questão;
  • Entre outros.
Nestas circunstâncias, o interesse pela emissão de títulos verdes no setor financeiro vem crescendo e é de importância significativa que grandes corporações incluam o tema em suas agendas estratégicas.
Joyce Françoso

A SUSTENTABILIDADE E AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS - NOVOS RISCOS E NOVOS MERCADOS

As questões socioambientais no Brasil vêm ganhando expressividade na criação de novas diretrizes nas operações do sistema financeiro. O assunto “Finanças Sustentáveis” também tem sido muito solicitado e pouco entendido.
Desde 1992 o tema tem ganhado espaço com mais seriedade através da Declaração Internacional dos Bancos para o Meio Ambiente e em 2014 tomou a devida expressividade com a Resolução do BACEM 4.327/14.
A necessidade emergencial da revisão do papel das instituições financeiras no que se refere á riscos, investimentos e financiamento em novos negócios, associados à questão ambiental, obriga uma ação robusta do sistema financeiro. Há a necessidade de desenvolver, por parte dos agentes financeiros, a capacidade de olhar com critério e abordagens mais técnicas o assunto.
No que corresponde a novos mercados, podemos citar o financiamento de atividades produtivas sustentáveis e de valor compartilhado, novas tecnologias, novas linhas de seguros e produtos financeiros e etc.. . Há no mercado financiamentos mais baratos voltados ao desenvolvimento socioambiental.
No que corresponde a riscos, a resolução o expressa em: "a possibilidade de ocorrer perdas, diretas ou indiretas, decorrente de danos socioambientais".
Os riscos podem estar associados á: Reputação, Crédito, Mercado e a Garantias.
Segundo a ABBC e PCW, é preciso entender e definir os riscos seguindo as etapas:
  • Mapeamento do negócio e riscos associados (listando a complexidade de suas atividades e de seus serviços);
  • Avaliação Socioambiental nas operações de crédito (Riscos de operacional da atividade, modalidade de crédito, valor de investimento);
  • Operações com garantias imobiliárias (Riscos de passivos ambientais).
Ainda é confusa a avaliação de materialidade por parte dos gestores corporativos sobre este tema. Esse novo olhar nos obriga a entender a sinergia das questões ambientais e sociais com seu Core Business. Isto não é tão fácil como parece, por considerar externalidades variáveis e muitas vezes intangíveis.
De toda maneira, o tema vale a importância e a reflexão, tanto sob o olhar do risco, quanto sob o olhar para novos mercados e oportunidades.
Joyce Françoso