terça-feira, 28 de março de 2017
SUSTENTABILIDADE ESTRATÉGICA
O conceito que define “Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável” foi introduzido no Início da década de 1980 por Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, que definiu comunidade sustentável como a que é capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades futuras.
A conscientização de que não é possível haver crescimento econômico e populacional infinito em um planeta de recursos naturais finitos evidenciou a necessidade de construção de um novo modelo de desenvolvimento, o qual deve ser orientado pelo conceito do desenvolvimento sustentável. Os negócios atuais são altamente dependentes dos recursos naturais e também de pessoas (consumidores, acionistas, fornecedores).
Além disso, os processos sociais, as mudanças econômicas, políticas, ambientais e tecnológicas, embora se desenhem lentamente, exercem mudanças significativas e duradouras em muitas atividades, processos e percepções.
A observação no direcionamento destas transformações e forças de mudanças possibilita a projeção de cenários futuros a médio e longo prazo. Essas projeções futuras são importantes instrumentos para legitimar a importância da criação de estratégias voltadas à pesquisa e inovação. Há uma necessidade imediata de novas abordagens (inovação de ruptura) na criação de valor.
É preciso criar novas estratégias na busca do lucro. O lucro ligado ao conceito de “curto prazo” é estritamente administrativo e cega o mapeamento dos riscos ligados as externalidades intangíveis do negócio.
Como bem contextualizou Michel Poter:
“O lucro que envolve um propósito social é uma forma superior de capitalismo — forma que permitirá à sociedade avançar mais rapidamente e, a empresas, crescer ainda mais. O resultado é um ciclo positivo de prosperidade empresarial e social que torna sustentável o lucro.”
É preciso desenvolver diretrizes que promovam o desenvolvimento na busca do lucro de maneira apropriada: o lucro cria benefícios para a sociedade e a perpetuação da empresa como marca de valor.
Pautada nesses indicadores, a maior vantagem competitiva está ter a Sustentabilidade na estratégia do negócio e não em atividades marginais. É importantíssimo que as oportunidades para criação da proposição de valor estejam intimamente ligadas ao negócio específico da empresa e em áreas mais importantes para o desenvolvimento do negócio.
Em vista do cenário exposto, as empresas precisam entender e mapear sua atuação, as externalidades que mais impactaram no seu negócio e a partir destes indicadores esforça-se para identificar e reescrever os objetivos estratégicos que mais contribuirão para sua performance, proposição de valor, melhorando e garantindo a qualidade e os resultados financeiros de médio e longo prazo.
FILANTROPIA – ADQUIRINDO VANTAGEM COMPETITIVA DE AÇÕES SOCIAIS
Há quem diga que ações sociais não geram retorno financeiro e por este motivo muitas empresas tratam investimentos sociais apenas como custo.Na verdade, o problema central está em grande parte destes projetos começarem totalmente separados da estratégia ou core business das empresas. Isso acontece porque a maior parte delas estão nas primeiras fases do processo de amadurecimento do tema, assim, não estruturam programas eficientes e não conseguem mensurar dados quantitativos sobre os investimentos sociais.
Porter e Kramer concluem:
“Quanto mais estreito for o alinhamento da filantropia com a estratégia da empresa – melhor as habilidades, a tecnologia ou a infraestrutura de que a empresa é especialmente dependente, por exemplo, ou aumentar a demanda dentro do segmento especializado em que a empresa é mais forte – maiores serão os benefícios de que a empresa desfrutará com a melhoria de todo contexto.”
A criação de ações sociais e filantrópicas podem estar associadas à gestão de pessoas com foco em melhoria de desempenho, gestão de custos, capacitação de mão - de obra e etc., sempre direcionadas para a melhoria da performance global.
Somente através de robustos programas com modelos de gestão de desempenho é possível descrever a estratégia e oferecer feedbacks dos resultados alcançados.
Em resumo, as empresas precisam integrar práticas sociais, quantificar, definir horizonte de tempo, selecionar iniciativa de acordo com a estratégia e respaldar de maneira planejada suas ações filantrópicas.
DESEMPENHO ECONÔMICO SOCIOAMBIENTAL E A DIMINUIÇÃO NO CUSTO DO CAPITAL
Pesquisas atuais mostram que a gestão de riscos socioambientais está associada a um menor custo de capital. Esta relação de desempenho acontece através da melhor utilização de recursos e da possibilidade de mudanças nas linhas de financiamento e benefícios fiscais.O valor da empresa pode ser melhorado devido a um ou ambos os efeitos.
No que se refere à melhor gestão de recursos, empresas mais "mais verde" (ou seja, mais eficiente) são economicamente mais eficazes. Isso porque, exemplificando de maneira simples, empresas que geram menos poluição e resíduos, por exemplo, são mais eficiente em sua gestão de custos.
Quando os gestores analisam tais dados, encontram relação positiva entre o desempenho ambiental e desempenho econômico através de maiores receitas e / ou custos reduzidos devido à melhoria na eficiência no uso dos recursos.
No entanto, se o mercado percebe melhorias na utilização de recursos, mas não percebe mudança no grau de risco, o custo de capital não muda. Esta questão é importante porque o custo de capital e retorno sobre investimento são variáveis fundamentais do ponto de vista financeiros.
A percepção do mercado sobre a gestão do risco socioambiental poderá ser traduzida na mudança do custo de capital através da aquisição de melhores linhas de financiamentos e níveis mais elevados de alavanca, resultando em redução no custo de capital global.
Porém, a idéia de que o desempenho “verde” e o desempenho econômico convencional estão relacionados nem sempre é bem aceito pelos lideres financeiros "tradicionais" e esta visão mais "habitual" enxerga que tais temas podem representar custos e deveriam ser reduzidos sempre que possível.
Embora várias pesquisas mostrem, por exemplo, que o mercado de ações reage à melhoria do desempenho ambiental por meio de retorno do mercado, pouca atenção tem sido dada a tais influências.
As observações dos fatores expostos neste artigo podem ajudar a construir melhorias estratégicas e trazer á debate o amadurecendo do olhar sobre tais temas.
Joyce Françoso
GESTÃO DE EXTERNALIDADES COMO INDICADORES DE RISCO.
Sabe-se que no decorrer das próximas décadas a realidade dos países, empresas e cultura será fortemente impactada pelas forças transformadoras incluindo as ambientais, econômicas, geopolíticas, sociais e tecnológicas.É importante apresentar projeções de cenários futuros que considerem a gestão dos riscos já mapeados e apresentados pelo Economic Forum para os próximos anos.
The Global Risks 2015, listado pelo Economic Forum dos riscos , cita paras os próximos 10 anos, eventos ambientais extremos, crise hídrica, dificuldade na gestão das mudanças climáticas.
Analistas dos setores financeiros responsáveis pela gestão de investimentos corporativos precisam conhecer sobre critérios de sustentabilidade na avaliação de riscos nos diversos setores empresariais, com a intenção de melhorar a percepção de risco e melhor alocação de recursos financeiros.
INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E O BALANÇO SOCIAL
Atualmente uma das principais ferramentas de análise das questões socioambientais por parte dos analistas financeiros e investidores são os balanços sociais.
Em recente pesquisa o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, mostrou que “apenas 5% de todas as informações de caráter ambiental foram completamente relacionadas ao Desempenho Financeiro Corporativo” .
De acordo com o estudo “O setor bancário brasileiro pouco adota práticas voltadas para uma economia mais sustentável ou pouco divulga de forma específica e detalhada suas iniciativas nesse sentido.”
Ocorre que, se as empresas não incluírem aspectos de socioambientais críticos ligados a sua atividade ou informações financeiras que claramente apresente beneficio de investimento ligado a desempenho financeiro, talvez hajam riscos intangíveis importantes não considerados nas tomadas de decisões de investimento. Fiquem ligados!
O assunto Sustentabilidade está na sua agenda de planejamento estratégico?
Joyce Françoso
ATIVOS INTANGÍVEIS - SUSTENTABILIDADE ESTRATÉGICA
Muito se fala a respeito das dificuldades em mensurar resultados financeiros obtidos através das ações de Sustentabilidade Empresarial. A maior diferença está em ter a sustentabilidade na estratégia do negócio e não em atividades marginais.
Kaplan e Norton em seu livro “Mapas Estratégicos” esclarecem que, os ativos intangíveis – os que não são mensurados pelo sistema financeiro da empresa - respondem por mais de 75% do valor das empresas. Em média, os ativos tangíveis da empresa – o valor líquido do ativo menos passivo – representam menos de 25% do valor de mercado.
Se os ativos intangíveis das empresas representam mais de 75% do seu valor, a formulação e a execução da estratégia deve tratar explicitamente do alinhamento dos intangíveis.
Inserindo as preocupações ambientais e sociais em suas estratégias de negócio, estas empresas promovem relações mais fortes com as partes interessadas e o sucesso á longo prazo.
Os pesquisadores revelam que as empresas com culturas de sustentabilidade compartilham de cinco características:
- Forte Governança
Corporativa: Alta direção está fortemente engajada com o tema social e
ambiental.
- Compreensão das demandas das
partes interessadas: Empresas Sustentáveis formam gestores capazes de
entender as demandas das partes interessadas, permitindo que as partes
interessadas expressem as suas expectativas e forneçam feedback.
- Perspectivas de negócio à
longo prazo: Esse direcionamento atrai mais investidores e outros
steakeholders importantes.
- Gestão de indicadores
estratégicos: Essas empresas estão mais propensas a gerenciar e medir
indicadores, além de ter alto desempenho em relação aos padrões internacionais.
- Elevado grau de transparência: Relatam sua gestão às partes interessadas, integram desempenho social e ambiental em relatórios financeiros e estão sempre abertas á auditorias externas.
"Amarrando preocupações ambientais e sociais ao seu core estratégico de negócio, empresas que gerenciam o tema Sustentabilidade, são as preferidas das partes interessadas, com melhores relacionamentos e, em última análise, com maior sucesso em longo prazo.”
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